A gagueira é uma desordem de fala. Durante os anos de aquisição e desenvolvimento da linguagem é comum que existam períodos variáveis no grau de fluência.
É comum para as crianças que estão aprendendo a falar possuir uma velocidade de pensamento que não acompanha sua velocidade verbal, ou seja, a criança pensa muito mais rápido do que fala e assim é esperado que ela apresente uma disfluência, uma gagueira. Há a chamada Gagueira Infantil ou Disfluência Normal, que é considerada normal para as crianças de 2 até 5 anos de idade. Nessa fase, a criança encontra algumas dificuldades em lidar com a língua (selecionar palavras para se expressar, necessidade de relatar algo em um pequeno espaço de tempo, etc.) apresentando consequentes repetições, prolongamentos ou hesitações.
Como não temos como prever quais das crianças que se encontram nessa fase persistirão gaguejando, é de fundamental importância o trabalho de prevenção logo após o surgimento das primeiras manifestações.
De acordo com a forma com que as pessoas vão agir perante a criança que apresenta essa disfluência (considerada normal nessa fase), o caso pode não ser instalado e agravado.
Após esse período, temos a instalação do distúrbio e a melhor indicação é a procura o quanto antes de um fonoaudiólogo.
A maioria das crianças supera com sucesso os períodos de disfluências (mais de 50% recuperam o padrão fluente). Para outros, a disfluência se mantém ou se agrava, podendo ou não chegar a associar movimentos corporais ao ato da fala.
Atualmente, sabe-se que a gagueira decorre de uma predisposição hereditária, associada a fatores ambientais estressantes, que podem ser linguísticos, psicológicos ou sociais. A soma desses fatores ou um deles isoladamente poderá levar à manifestação dos sintomas.
A porcentagem da população que gaguejou em algum momento de sua vida é de 4%. No entanto, após a puberdade tal número sobe para 5%. A partir daí, tende a declinar, chegando à fase adulta com um índice de 0,8% entre a população em geral.
FONTE: Coleção Fono na Escola. Dificuldades na Linguagem. Márcia Honora e Mary Lopes Esteves Frizanco. Editora Ciranda Cultural.


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